segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Desejo





Entrega-me metade do teu coração
para que eu devore
e talvez eu possa amar tua parte incompleta.

Dá-me a meia porção do teu sangue
para que eu beba
e tornarás tua pele fria para que meu calor te sustente.

Divide comigo o ar que respiras
para que eu trague um pouco de tua vida
e talvez a solidão não te sufoques.

Torna-te apenas metade do que és
e também serás teu o meu coração, sangue e ar.

- Bira -

domingo, 16 de janeiro de 2011

Sine Fine




Sinto uma ausência que não sei explicar.
Não sei se de dias que tive ou se de outros que nunca terei.
É como se estivesse de mãos dadas com o verão,
Sem recordar-me dos beijos da primavera.

Onde, porventura, perdi minha amante,
E quem seria o usurpador de minhas memórias?
Elas realmente existiram e foram levadas
ou são apenas um algo que quer existir,
uma pulsão de vida que quer respirar?

Sinto-me vago e incerto,
Porém, vez ou outra cerro meus olhos
E vejo seus olhos.
Seriam olhos que querem existir, ou apenas
O chamado de minha amante perdida?

Ouço o clamor de minhas memórias ao longe,
Como os gritos tênues de uma criança perdida.
Quero salvá-las, mas não existem direções a se percorrer.
Tenho que me lembrar.

Sinto o tempo escorrendo,
como o sangue que leva gota a gota a felicidade dos mortos.
Então quero me desesperar,
Pois não desejo perder o que está perdido.

Tento me lembrar de você,
E enquanto te busco no vazio do que me restou,
Percebo que sei quem tu és.
E que desde o princípio ignorei que sempre soube.
Pois cerrei meus olhos para não ver a verdade
Como um último esforço de vida,
Uma pulsão derradeira.

Sinto a plenitude da verdade,
O sabor adstringente de quem admite a própria vergonha.
Preciso admitir,
nunca existi.
Sou parte de tua imaginação.
Talvez apenas um sentimento ou sensação que quis florescer,
Ter vida própria.

Teus olhos fechados agora fazem sentido,
Pois levaram consigo a luz da primavera que nunca passamos juntos,
Selou para sempre a saída de tua alma.
E hoje permaneço aqui esquecido, confinado dentro de ti,
Perdendo-me pouco a pouco,
Sem que nunca tomes ciência de minha existência,
Apenas eu e as saudades de mim.

- Bira -
25 de janeiro de 2011

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O poço




Por mais que algumas pessoas tentem, elas não irão conseguir enxergar além de si mesmas. Nós sabemos os conflitos e contrastes que habitam nossa alma. E sentimos diariamente o mundo que arrastamos acorrentado em nossa perna. Todavia, não conseguimos ver isso em outras pessoas. São tão internos os processos da mente que, infelizmente, só nos resta o corpo para julgarmos. E embora, muitas vezes, nossas aflições transbordem pelos nossos corpos construindo semblantes e expressões faciais decadentes, estamos tão imersos em nós mesmos que não nos apercebemos desses detalhes lúgubres que estampam o outro. Todos caem! É sinistro como, diante de nossa vida, pernas enfraquecem e desmoronam com suas vidas e nada percebemos. E quanto às almas penadas que confundimos com corpos e passam por nós como se estivessem vivas, e passamos por elas como se estivessem vivas. Olhe para o chão, se um dia você tiver tempo. Haverá muitos mortos apodrecidos lá. Mas, talvez, possamos identificar os agonizantes. Afinal, é mais fácil perceber anjos caídos do que faces de tristeza. Eu sei, não me interprete mal. Não estou te julgando por você olhar apenas para dentro do seu poço, fundo e triste. Você tem o direito de desmoronar também. Todos caem dentro de seus poços. Todos se abandonam em sua própria solidão. Eu conheço bem essa sensação. Chama-se vazio. É a borracha com a qual estamos descolorindo a vida e as pessoas ao nosso redor. Isso, porque queremos ficar completos de coisa alguma. No final, nossa alma mostrou-se pequena para tudo que foi colocado dentro dela. Somos mentes que, de tão sobrecarregadas e cansadas, escolhemos nos tornar apáticos em nossa existência. É isso ou ser consumido até a exaustão.

- Bira -
Petrolina, 8 de janeiro de 2009

sábado, 13 de dezembro de 2008

Abra os olhos



Eu desejo o fim.
O fim rápido e indolor.
Já tentei ser o alto da montanha gelada,
o espírito livre
e a décadence.
Não obtive êxito.

Agora estou tentando ser o fim,
meu amigo, o fim.
Um estado verdadeiro de não ser
nem estar.

Talvez, a forma mais pura de liberdade,
ou de decadência, diriam alguns.
O que importa?
Significado irrelevante.
Tão irrelevante quanto precisar ou buscar
nesta encenação sacal e repetitiva que chamamos de vida.
As imagens falsas do mesmo canal.

Somos tão de mentira, que nos degradamos e desmoronamos
até restar apenas pó.
Todos teremos essa sorte um dia.
Apenas desejo as últimas palavras, quando me olharem
gelado, liberto e decadente:

- Bom dia, meu amigo. Não precisas mais abrir teus olhos, o fim chegou.

- Bira -
13 de dezembro de 2008, 2:30

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

The colors of darkness




Ouço um grito de liberdade ao crepúsculo.

As sombras vêm afagar meu coração compartido...

A escuridão forra a cama onde deitarei minha mente já tão fatigada...

Bem-vindos...

Sentem-se...

Falaremos de coisas tolas...

Sentiremos como cana no campo...

Sozinhos, rodeados por iguais...

Não há nada mais angustiante que fitar a fumaça do último cigarro da noite...

Ah, o dia... Por que sempre insiste em nascer...

Hoje a noite poderia durar um momento de eternidade...

Me levando para onde eu realmente sempre quis estar...

Com quem eu sempre...

Sendo quem eu sempre...

Destas coisas já não sei...

Talvez nunca soube...

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Nada a declarar



Nada eu tenho,
nada é meu.
Nada a perder.

Quando eu cheguei já existia,
e quando eu me for continuará.
Sem relevância, assim vivo,
como uma passagem apenas.

Sem apego.
Porque nada há para se desapegar,
nem a mim mesmo,
pois não me pertenço.

Sou apenas um empréstimo,
uma locação espacial,
para que meu nada imaterial permaneça uns dias por aí.

E quando meu tempo terminar,
entrego como soldo minhas experiências à terra
e como juros minhas memórias aos vermes.
Retornando, por fim, ao esquecimento de onde vim.

- Bira -

sábado, 12 de julho de 2008

A primavera retornou em julho

Flores e vegetação renovada brotando na primavera


A primavera retornou em julho
e não encontrou perfeita a sua última memória.
Os dias envelheceram,
porque o tempo não perdoa aos seus próprios companheiros.
O perfume agarrado aos seus cabelos, relutante em partir,
seguiu-a até perder-se para sempre.
Apenas as saudades trilharam por seu caminho distante.

A primavera retornou
e, tímida, estendeu sobre a paisagem alguns riscos de luz.
Desejou novamente seus campos abandonados
e pediu que as rosas
carregassem novamente o cheiro dos amanheceres ensolarados.
Até os ventos esquecidos
trouxeram seus pássaros descontentes.

A primavera
apontou no horizonte e sorriu,
um riso de quem se desculpa.
Despertou-nos com a sua claridade
enquanto descarregava os sonhos que distantes fora buscar.
Refloresceu a natureza e
fez brotar sementes despreocupadas.

As estações passam
e com elas o deslumbre que as acompanha.
E se há uma verdade,
é que depois que um dia nasce
há sempre um entardecer.

E embora possa caminhar
na confiança desse dia claro,
não deixo de carregar comigo esta tristeza,
de que essa primavera também passará.

- Bira -

domingo, 29 de junho de 2008

"você é um homem ou um balde de Jaca"
- Frase célebre que inspirou a criação do movimento Jaquista e o texto a seguir "A vegetalização de um homem", escrito por Rafael Paiva -

A vegetalização de um homem

Planta crescendo em formato de silhueta humana, simbolizando vegetalização


Caro amigo,

Hoje venho a ti com imenso pesar,
Pois ao que um dia foi, nunca mais será.
Lembro com saudade daqueles tempos,
Nos quais tu nos guiavas pelos caminhos tortuosos da vida.
Nos mostravas obstáculos até então imperceptíveis à nossa escassa visão.
Nos conduzias, como um pai terno faz com seu filho, pelas turbulências do destino.

Mas hoje, creio que esses tempos áureos se foram.
Tempos em que nos reuníamos e celebrávamos a vida.
Celebrávamos a juventude,
Celebrávamos a sabedoria recém adquirida.
E, acima de tudo, celebrávamos a nós mesmos.

Apossou-se de nós uma imensa inquietação
Pois vemos hoje o que te tornaste.
E vendo que não temos mais aquele ser que nos iluminava,
Perguntamos aos ventos: E agora?
Será que tudo o que nos ensinaste era falso?
Como pode, ao doce tocar de lábios, um homem descer a tão baixo fosso?

Estamos, mais que tristes, perdidos.
Essencialmente perdidos.
Pois tudo o que aprendemos foi deturpado por aquele que nos ensinou.
Vejo com tristeza que os que um dia foram os três mosqueteiros,
Hoje não passam de três porquinhos.
É...

Como já dizia o filósofo: Quando fores ao encontro de uma mulher, levas contigo o teu chicote.
Sabemos que as descendentes de Vênus são criaturas amáveis, carinhosas e que enchem nossos corações de alegria.
Mas também sabemos que possuem uma estrada tenebrosa.
E me pergunto: O que aconteceu com o teu chicote, amigo!?
Terás perdido, ou foi transformado em laço de rosa!

Elas nos acusam de infinitas infâmias,
Mas são elas que cometem os maiores pecados:
Nos vegetalizam.
E nos tiram os amigos.

Sabes muito bem que ando por essa estrada vegetal já há algum tempo.
Mas nunca me ocorreu, nem mesmo em meus piores pesadelos,
Que tu, ao iniciar tão vil empresa, irias com tanta sede rumo ao abismo.

Sabes que, da mesma forma que um dia fui ao teu encontro em busca de conselhos, conhecimento ou mesmo consolo, virás ao meu com os mesmos propósitos.
E saiba que sempre, sempre, o aguardarei de litro aberto.
Pois em minha morada nunca faltará o doce mel de Dionísio para estes momentos.

Não o chamarei de hipócrita, pois não é de minha índole insultar meus semelhantes.
Mas saiba que tu o és.
Pois te transformaste em tudo aquilo que sempre combateste.

Saiba que já olhei para ti com admiração e reverência.
Hoje, olho com prudência.
Pois vejo, neste em que a prenhez nunca cessa,
neste em que o teto sagrado o tempo aos poucos renega,
apenas
Jaca.

Rafael Ribeiro Paiva
Petrolina, 27 de maio de 2008

terça-feira, 20 de maio de 2008

A vida vale a pena?


Às vezes penso que não.

Penso nas dificuldades que enfrento desde criança, na tristeza que vejo há muito tempo nos que estão perto de mim. Penso na incapacidade das pessoas e na impotência ante um cotidiano irrevogavelmente vazio. Penso ainda no potencial que todos temos para sermos infelizes. Penso na tristeza das perdas que sofri, nos amores que esqueci e nos que ainda terei de esquecer. Às vezes penso na vida que tenho e, apesar de não ser das piores, às vezes simplesmente não consigo gostar dela.

E de repente acordo.

Em um dia com um pouco mais de sol, com um pouco mais de vento. Em um dia talvez “nada a ver”, um dia desproposital. Então vejo minha família tomando café e penso em todas as dificuldades que enfrentamos e, mesmo com o pouco, conseguimos dar boas risadas. Penso no quintal de minha casa, no pé de goiabeira, nos cabos das vassouras que derrotavam meus inimigos imaginários, nas caixinhas de remédios pilotadas pelos bonecos de massa, no jeep do Rambo — que foi guerreiro até a carcaça. Penso quando dancei valsa com minha mãe na formatura da alfabetização e com minha irmã na da quarta série. Penso nas brigas com meu irmão, em como não me lembro de quando ficamos adultos e de quando elas acabaram. Penso na primeira vez que bebi com meus primos e nas músicas de vaquejada que ouvimos. Penso em meu primo Carlos Maelbe cantando aboios na madrugada de uma segunda qualquer em frente da minha casa. Penso nos meus amigos e nas besteiras infindáveis que conversamos e conversaremos. Penso em todas as vezes que sorri. Penso nos amores que ainda terei. Às vezes penso na vida que tenho, que não é das piores, e em todas as lembranças que conquistei, e às vezes simplesmente não quero que elas acabem.

- Bira -

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Era uma vez...



O que você tem a dizer?
Então diga.
Esta é a hora.
Este é o fórum: a vida.

Porque tudo está em branco,
desde o seu início
até o seu final.

Muito por se dizer,
páginas por escrever.

Deixe seus relatos,
escreva sua vida.
Conte tudo
e não omita nada.
Também não minta nada.

Suas recordações para você serão.
Este é o seu livro,
as páginas, suas experiências.

E por enquanto, experiências em branco,
experiências em preto.

Linhas de existência,
linhas por existir.

Preciosas memórias escondidas através do tempo.
Novos dias, novas palavras.

Não esqueça: as páginas passam.

Conte sua história.
Diga o que você tem a dizer.

- Bira -

sexta-feira, 21 de março de 2008

clareza
Ande apenas em uma direção
quando você for apenas um.

Seja um corpo,
ocupe um espaço de cada vez no universo.

Dizem que somos plural,
mas eu digo: não seja!

Não escute vozes,
apenas você fale.

Tenha um pensamento,
uma ideia de cada vez.

Concentre-se em um lugar.
Não se perca no infinito.

Apenas uma batida por vez,
um sentimento por vida,
uma pessoa por eternidade.

Um amor para sempre.

- Bira -

domingo, 16 de março de 2008

Sociedade do Ser

Vista aérea de pessoas em uma praça, formando um padrão geométrico

Às vezes... às vezes perdemos o controle. Raiva e ira, em alguns momentos, controlam nossas ações. Somos possuídos por um ímpeto, não irracional, mas que naquele ínterim de fúria eleva nossa força, percepção e habilidades. Isso ocorre quando somos ameaçados, acuados, pressionados. Sejam nossos pensamentos e ideias, seja nossa vida. Temos somente que reagir, escapar, enfrentar. Assim, ficamos mais fortes quando somos ameaçados; contudo, ficamos menos cerebrais. Será pelo desvio do fluxo sanguíneo para pernas e braços? Ou será que em épocas de perigo e instabilidade política faz-se necessário que o ditador assuma a democracia? A ditadura, é verdade, torna o sistema mais operacional e menos complexo. Menos conflituoso, eu acrescentaria. Logo, este governo comanda “o estado do ser” com agressividade e poucos questionamentos. Mas não sem racionalidade. Apenas com a inteligência necessária para derrotar o inimigo. Ou melhor, para responder à ameaça. Já que nem sempre a resposta está à altura da vitória. Queremos apenas reagir; esta é a prioridade.

Somos ameaçados o tempo todo. E por isso devemos ter o cuidado de não deixar a nossa democracia interior ruir. Nem toda ameaça é ameaça de facto. Nem sempre o radicalismo psíquico é justificável. Precisamos usar o controle. Ele surgiu a fim de que pudéssemos dominar nossas respostas. Moderar o ataque. Ou esperar nas trincheiras. Impedir que retornemos novamente à Barbárie.

Portanto, posso compreender o mundo como um esquema macro de nossa estrutura interior. Fizemo-lo conforme nossa imagem e semelhança. Quando você quiser conhecer-se melhor, apenas olhe e veja a sociedade que você está construindo. A civilização não é um puro acaso. Mas uma consequência de evolução interior em direção ao aprimoramento do controle e do domínio próprio. Permitam-me concluir com adstringência: civilizamos o comportamento, por isso não somos macacos. — P.S.: isso não é totalmente verdade.

- Bira -

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008




A primavera acorda lentamente
esta manhã,
e nela tu existes.

As estações solitárias já se foram,
e você está por toda parte.

Pois um jardim precisa de flores
e uma alma precisa de outra.

Este é um dia claro,
tenho perspectivas.
Tenho alguém diante de mim.

- Bira -

domingo, 16 de dezembro de 2007

A gota


Caiu a gota,
voou pelo céu.

Que momento!
Não está frio, nem nublado.
Não vai chover, mas a gota caiu.

Será isso possível?
Alguém acreditaria?
Seria isso ao menos relevante?

A gota fez história,
viajou sozinha, mergulhou de cabeça.
Abandonou sua antiga vida,
deixou os seus,
deixou as nuvens.

E foi ter o seu momento.

Nunca mais ouvi falar dela.
Alguns dizem que se perdeu no meio do caminho.
Outros dizem que colidiu com uma pedra.
Não sei mesmo.

Mas prefiro pensar
que ela encontrou um oceano.

- Bira -

A chave mágica

Vela acesa isolada contra fundo escuro

Um conceito abstrato, não delimitado, sem fronteiras ou horizontes. Uma pequena amostra de uma existência superior que está tão perto e tão além. O objeto que nos conecta com o infinito, e que não sabemos onde está guardado, nem como podemos abrigar dentro de nós. Como pudemos contê-lo? Como não fomos ainda dissolvidos por esta energia? Ou como, ainda, não explodimos em um milhão de possibilidades? O transcendental, o metafísico, o extremo radical, concedeu-nos um ínfimo de sua propriedade e estamos a ponto de enlouquecer com isso. Mergulhados no irreal e no vazio. Deprimidos. Com medo. Definhando como a vela que não consegue conter a sua chama. Por isso morremos? Por que isso nos consome aos poucos? Talvez este tenha sido o preço de andarmos com um pedaço do imortal dentro de nós: a morte, o fim. Somos sugados — nossa energia, nossa vida — a fim de andarmos na claridade. O farol que nos impele para frente, para o futuro, é o mesmo que extingue nossos corpos. Toda dádiva tem seu preço. Então, considere isto. Faça uso enquanto você pode. Viaje, transcenda, toque o surreal. Volte ao passado, construa presentes, destrua futuros. Viva histórias. Desenvolva. Porque você tem a chave mágica para abrir seus olhos, seus caminhos. Você tem o pensamento.

- Bira -

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007


Não entendo,
e não entenderia em um milhão de anos.

Não quero dizer que é complexo,
mas simples definitivamente não é.

“Querer”, o complexamente simples “Querer”.

Observe e vais entender o que quero dizer:

Eu quero; acho que quero; tenho certeza que quero; será que eu quero?; e se eu quiser?; e se eu Quiser!; Querer?; talvez eu queira, talvez não; não quero mais; ainda quero; eu realmente queria; sei que não quero mais; já quis; vou querer?; vou querer!; Eu não quero.

Sabe o que é isso que você acabou de ler? Apenas uma questão de tempo. Perceba então que, mesmo que você escolha aquilo que quer, vais ter de ralar muito ainda para continuar querendo. Pois se há uma verdade que entendo é que o “Querer” muda constantemente de lugar ou de querer. Então, boa sorte, e com alguma sorte você continuará a querer o que você já tem.

- Bira -

domingo, 9 de dezembro de 2007

Um homem forte é aquele que resiste a suas fraquezas; uma alma forte é aquela que sobrevive aos seus conflitos; e um espírito forte é aquele que suporta seus medos...




Ontem me lembrei de quem eu era e de como eu costumava ser forte. Antes, fazer escolhas não era tão difícil, nem complicado. Não era multifatorial. Existia apenas uma vontade para cada escolha. Naquele tempo eu também era um só, e não muitos como sou hoje. Meu único conflito era se valia a pena apanhar dos meus pais, e quase sempre valia. Mas quanto a isso, só me entrava nas reflexões no caminho de volta para casa, depois de concluído meu intento. Eita tempo! Em que as consequências vinham somente depois e não antes como é hoje. Medimos tanto, calculamos em demasia, sofremos por antecipação e então desistimos de ir em frente, aliás, de começar a ir. Como me arrisquei tanto no passado e como sobrevivi? Como sobrevivo a mim mesmo hoje, estático? Será que a vida já nos encurralou até que nossos dias se desgastem e morramos? Somos adultos. Temos responsabilidades. Somos sólidas estátuas de barro que não se mexem nem resistem ao tempo.

- Bira -

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Even money – A ÚLTIMA APOSTA


[INÍCIO]

Se quiser saber a verdade sobre uma pessoa...
descubra o sonho dela...
e depois trabalhe de trás para frente.

Todos nós perseguimos alguma coisa.
Mais dinheiro...
mais amor...
bem, não sei, talvez mais uma chance.

Mas o que realmente queremos...
é mais vida.
Sim, senhor...
mais um pouco desta bela vida.

Mas você precisa ter cuidado...
pois pode ser que queira ainda mais...
e no final acabe com menos.

[FIM]

Como eu disse...
todos nós perseguimos alguma coisa.
Mais dinheiro.
Mais amor.

Mas o que realmente buscamos...
é mais vida.

Mas, às vezes...
você quer mais...
e acaba com menos.

O mundo é lindo.
Devíamos estar satisfeitos.

Mas a verdade é que...
todos nós queremos mais.

Alguns arriscam para obter a vitória.
Alguns...
para obter amor.

Mas você não conseguirá realizar o seu sonho...
se não arriscar alguma coisa.

Mas o segredo está...
em não arriscar o que não pode perder.

Você pode pensar que é diferente.
Mas um dia...
você também irá querer mais.

A pergunta é...
o que você está disposto a arriscar?

— trecho do filme —

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Bolero em perspectiva


Estamos todos nervosos... pela primeira vez partirei em direção a algo mais sofisticado. Uma espécie de ritual entre os corpos capaz de elevar nossos espíritos.

Desajeitado, meio que desengonçado, tento conduzir com alguma firmeza a pele que desliza entre minhas mãos trêmulas e suadas. E assim riscamos o salão. É por meio de um balanço que o sublime se revela, num misto de suavidade e clareza.

Já estamos altos, e em cada vez que os passos se encaixam destravamos bem diante do outro nossos segredos. Estamos nus, despidos das carnes mortais; apenas velejamos com o vento. Riscamos o universo em meio a giros e inversões. Somos folhas caindo.

Já agora alguma firmeza há em meus dedos enquanto sustento e conduzo, imperfeitamente como humano, o corpo divino de uma inspiração de Deus — um divino poema cheio de curvas e alegrias que engrandece a vida apenas pelo fato de existir.

E no final, quando o movimento diminui e o êxtase atingiu sua maturidade, estamos completos e ricos, e gratos por mais uma vez a vida se mostrar ainda mais deslumbrante.
- Bira -