quinta-feira, 24 de abril de 2008

Era uma vez...



O que você tem a dizer?
Então diga.
Esta é a hora.
Este é o fórum: a vida.

Porque tudo está em branco,
desde o seu início
até o seu final.

Muito por se dizer,
páginas por escrever.

Deixe seus relatos,
escreva sua vida.
Conte tudo
e não omita nada.
Também não minta nada.

Suas recordações para você serão.
Este é o seu livro,
as páginas, suas experiências.

E por enquanto, experiências em branco,
experiências em preto.

Linhas de existência,
linhas por existir.

Preciosas memórias escondidas através do tempo.
Novos dias, novas palavras.

Não esqueça: as páginas passam.

Conte sua história.
Diga o que você tem a dizer.

- Bira -

sexta-feira, 21 de março de 2008

clareza
Ande apenas em uma direção
quando você for apenas um.

Seja um corpo,
ocupe um espaço de cada vez no universo.

Dizem que somos plural,
mas eu digo: não seja!

Não escute vozes,
apenas você fale.

Tenha um pensamento,
uma ideia de cada vez.

Concentre-se em um lugar.
Não se perca no infinito.

Apenas uma batida por vez,
um sentimento por vida,
uma pessoa por eternidade.

Um amor para sempre.

- Bira -

domingo, 16 de março de 2008

Sociedade do Ser

Vista aérea de pessoas em uma praça, formando um padrão geométrico

Às vezes... às vezes perdemos o controle. Raiva e ira, em alguns momentos, controlam nossas ações. Somos possuídos por um ímpeto, não irracional, mas que naquele ínterim de fúria eleva nossa força, percepção e habilidades. Isso ocorre quando somos ameaçados, acuados, pressionados. Sejam nossos pensamentos e ideias, seja nossa vida. Temos somente que reagir, escapar, enfrentar. Assim, ficamos mais fortes quando somos ameaçados; contudo, ficamos menos cerebrais. Será pelo desvio do fluxo sanguíneo para pernas e braços? Ou será que em épocas de perigo e instabilidade política faz-se necessário que o ditador assuma a democracia? A ditadura, é verdade, torna o sistema mais operacional e menos complexo. Menos conflituoso, eu acrescentaria. Logo, este governo comanda “o estado do ser” com agressividade e poucos questionamentos. Mas não sem racionalidade. Apenas com a inteligência necessária para derrotar o inimigo. Ou melhor, para responder à ameaça. Já que nem sempre a resposta está à altura da vitória. Queremos apenas reagir; esta é a prioridade.

Somos ameaçados o tempo todo. E por isso devemos ter o cuidado de não deixar a nossa democracia interior ruir. Nem toda ameaça é ameaça de facto. Nem sempre o radicalismo psíquico é justificável. Precisamos usar o controle. Ele surgiu a fim de que pudéssemos dominar nossas respostas. Moderar o ataque. Ou esperar nas trincheiras. Impedir que retornemos novamente à Barbárie.

Portanto, posso compreender o mundo como um esquema macro de nossa estrutura interior. Fizemo-lo conforme nossa imagem e semelhança. Quando você quiser conhecer-se melhor, apenas olhe e veja a sociedade que você está construindo. A civilização não é um puro acaso. Mas uma consequência de evolução interior em direção ao aprimoramento do controle e do domínio próprio. Permitam-me concluir com adstringência: civilizamos o comportamento, por isso não somos macacos. — P.S.: isso não é totalmente verdade.

- Bira -

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008




A primavera acorda lentamente
esta manhã,
e nela tu existes.

As estações solitárias já se foram,
e você está por toda parte.

Pois um jardim precisa de flores
e uma alma precisa de outra.

Este é um dia claro,
tenho perspectivas.
Tenho alguém diante de mim.

- Bira -

domingo, 16 de dezembro de 2007

A gota


Caiu a gota,
voou pelo céu.

Que momento!
Não está frio, nem nublado.
Não vai chover, mas a gota caiu.

Será isso possível?
Alguém acreditaria?
Seria isso ao menos relevante?

A gota fez história,
viajou sozinha, mergulhou de cabeça.
Abandonou sua antiga vida,
deixou os seus,
deixou as nuvens.

E foi ter o seu momento.

Nunca mais ouvi falar dela.
Alguns dizem que se perdeu no meio do caminho.
Outros dizem que colidiu com uma pedra.
Não sei mesmo.

Mas prefiro pensar
que ela encontrou um oceano.

- Bira -

A chave mágica

Vela acesa isolada contra fundo escuro

Um conceito abstrato, não delimitado, sem fronteiras ou horizontes. Uma pequena amostra de uma existência superior que está tão perto e tão além. O objeto que nos conecta com o infinito, e que não sabemos onde está guardado, nem como podemos abrigar dentro de nós. Como pudemos contê-lo? Como não fomos ainda dissolvidos por esta energia? Ou como, ainda, não explodimos em um milhão de possibilidades? O transcendental, o metafísico, o extremo radical, concedeu-nos um ínfimo de sua propriedade e estamos a ponto de enlouquecer com isso. Mergulhados no irreal e no vazio. Deprimidos. Com medo. Definhando como a vela que não consegue conter a sua chama. Por isso morremos? Por que isso nos consome aos poucos? Talvez este tenha sido o preço de andarmos com um pedaço do imortal dentro de nós: a morte, o fim. Somos sugados — nossa energia, nossa vida — a fim de andarmos na claridade. O farol que nos impele para frente, para o futuro, é o mesmo que extingue nossos corpos. Toda dádiva tem seu preço. Então, considere isto. Faça uso enquanto você pode. Viaje, transcenda, toque o surreal. Volte ao passado, construa presentes, destrua futuros. Viva histórias. Desenvolva. Porque você tem a chave mágica para abrir seus olhos, seus caminhos. Você tem o pensamento.

- Bira -

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007


Não entendo,
e não entenderia em um milhão de anos.

Não quero dizer que é complexo,
mas simples definitivamente não é.

“Querer”, o complexamente simples “Querer”.

Observe e vais entender o que quero dizer:

Eu quero; acho que quero; tenho certeza que quero; será que eu quero?; e se eu quiser?; e se eu Quiser!; Querer?; talvez eu queira, talvez não; não quero mais; ainda quero; eu realmente queria; sei que não quero mais; já quis; vou querer?; vou querer!; Eu não quero.

Sabe o que é isso que você acabou de ler? Apenas uma questão de tempo. Perceba então que, mesmo que você escolha aquilo que quer, vais ter de ralar muito ainda para continuar querendo. Pois se há uma verdade que entendo é que o “Querer” muda constantemente de lugar ou de querer. Então, boa sorte, e com alguma sorte você continuará a querer o que você já tem.

- Bira -